Ovos Fabergé

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| 15/04/17 |

Em clima de Páscoa, quis fazer um post que saísse da mesmice dos assuntos de chocolate, e nada mais interessante que os ovos Fabergé que são verdadeiras obras-primas.

A sua história remonta ao século 19, época em que os czares, monarcas da Rússia, eram os maiores compradores dessas joias em formato de ovos, pois era costume da família imperial presentear-se entre si na época da Páscoa. Eram feitos de ouro, pedras preciosas e tinham acabamento esmaltado. Dentro continham outros objetos e joias, revelando verdadeiras surpresas quando abertos.

Como já diz o nome, essas artes em forma de joias eram produzidas pela joalheria Fabergé que foi fundada em 1842 na Rússia por Carl Peter Fabergé. Cada ovo levava um ano para ficar pronto e era feito à mão por artesãos altamente qualificados. O primeiro ovo imperial foi fabricado em 1885 a pedido do czar Alexandre III para presentear sua esposa Maria Feodorovna na Páscoa. Por fora era um simples ovo esmaltado, mas ao ser aberto, continha uma representação em ouro de uma gema, e dentro desta havia uma miniatura feita em ouro de uma galinha, na qual dentro tinha dois pequenos presentes: uma miniatura em diamante da coroa real e um pequeno pingente de rubi em formato de ovo que podia ser usado em um colar.

O presente causou tanta surpresa e admiração que à partir de então o czar Alexandre passou a encomendar pelo menos um ovo por ano à joalheria. A tradição da dinastia Romanov foi continuada por seu filho Nicolau II.

Ovo Fabergé com relógio Vacheron Constantin em seu interior. Foi encomendado pelo czar Alexandre III para presentear sua esposa Maria Feodorovna.

Com a Revolução Russa em 1917 liderada por Vladimir Lenin, os palácios são saqueados, a família imperial é assassinada e a joalheria Fabergé é estatizada e fechada pelos bolcheviques, fazendo com que a família perdesse os direitos de uso do nome e acabassem fugindo para a Suíça. Anos mais tarde, o nome Fabergé acabou indo parar nas mãos da gigante multinacional de bens de consumo Unilever, que criou uma marca de perfumes e cosméticos de luxo com o nome antes de vender para a companhia de investimentos sul africana Pallinghurst Resources. Em 2009, sob este novo proprietário, a Fabergé foi relançada como joalheria com a gerência contratando duas bisnetas de Carl Peter Fabergé como diretoras. Com um acordo em 2012, parte da Fabergé foi vendida para a Gemfields, empresa especializada e proprietária de inúmeras minas de pedras preciosas ao redor do mundo.

Fazendo jus à herança, os ícones da joalheria Fabergé nos dias de hoje são os pingentes em formato de ovos, sendo que alguns contém miniaturas de animais dentro e podem ser usados em colares e pulseiras. As lojas encontram-se em cidades frequentadas pelos endinheirados do mundo inteiro: Dubai, Aeroporto de Baku, Genebra, Malta, Qatar, Nova York e Londres.

Dos 50 ovos encomendados que pertenceram à família real russa entre 1885 a 1916, 43 sobreviveram nos dias de hoje. Muitos destes pertencem a colecionadores particulares, fundações e museus localizados nos Estados Unidos, na Rússia e Europa. Um dos maiores colecionadores privados foi Malcolm Forbes, o publicitário da revista Forbes, e inclusive a atriz Joan Rivers costumava colecionar também. Ambos já faleceram. Atualmente, Viktor Vekselberg, magnata russo dono da Renova Group, – conglomerado que atua nos ramos de petróleo, alumínio, energia, tele-comunicações, entre outros setores – possui a maior coleção privativa, sendo que nove dos ovos foram comprados da família Forbes. Com o intuito de que mais pessoas conheçam sobre valores culturais russos perdidos, Viktor abriu o Museu Fabergé em São Petersburgo na Rússia com 15 ovos expostos, dentre eles 9 imperiais.

Infelizmente, alguns se perderam com o tempo, tanto ovos imperiais quanto os de outras coleções, além das miniaturas e joias que continham dentro. Mas, muitos ainda podem ser apreciados em locais de visitação pública.

Tenham uma feliz Páscoa!

Abrazos

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